Transferir Dinheiro

Aprenda a transferir dinheiro para outro país sem envolver um banco

Quem precisa ou costuma transferir dinheiro para o exterior, sabe como pode ser um processo caro e demorado. Mas existe uma empresa que veio para contornar isso de forma econômica, realizando transferências nacionais. Ué, mas como assim?

O que é e como funciona

A Transferwise é uma fintech que oferece serviço de transferência internacional de dinheiro online. Ela permite que você realize essas transações de forma até oito vezes mais barata do que através de meios tradicionais.

O sistema é baseado em peer to peer lending (P2P), o que dispensa bancos para realizar as trocas internacionais de valores e câmbio de moedas. Digamos que você queira transferir uma quantia em reais para alguém morando na Europa.

Transfira o valor para a conta da Transferwise no Brasil e o serviço envia o equivalente em euros para o destinatário a partir de uma conta na Europa. O caminho inverso funciona da mesma forma.

A pessoa envia euros para a conta da Transferwise na Europa e você recebe o equivalente em reais através da conta brasileira. Assim o dinheiro nunca atravessa qualquer fronteira e você economiza.

Em algumas regiões, é possível usar até um cartão de crédito ou cartão de débito. Isso tudo evita o pagamento das altas taxas de transferência e câmbio cobradas por bancos e casas de câmbio.

Sempre é usada a cotação que você vê no Google para que tenha a certeza de que não existem taxas escondidas. Eles só cobram uma tarifa que é exibida logo de cara e nada mais. Ainda assim é um décimo do que você pagaria por meios tradicionais.

Se você possuir uma conta corrente digital, pode até não pagar por transferências DOC e TED nacionais. Isso elimina custos adicionais cobrados para esse tipo de transação pelos bancos.

Como a empresa surgiu

Taavet Hinrikus, o primeiro funcionário do Skype, é natural da Estônia. Porém, ele acabou sendo transferido para trabalhar em Londres. Apesar disso, continuava recebendo no seu país de origem.

Com o tempo, todas as suas despesas passaram a ser baseadas em Londres. Então ele precisava realizar uma transferência internacional mensalmente da Estônia para um banco no Reino Unido.

Isso envolvia taxas cobradas pelo banco e taxas de câmbio, o que tornava o procedimento oneroso. Foi então que Taavet conheceu Kristo Käärmann, que também trabalhava em Londres, mas tinha um financiamento na Estônia.

Todo mês Kristo fazia o caminho inverso de Taavet, realizando a transferência de dinheiro do Reino Unido para sua conta na Estônia. A partir disso, não demorou muito para eles terem uma ideia.

Taavet transferiria dinheiro da conta dele na Estônia para a conta do banco de Kristo neste mesmo país e Kristo, por sua vez, transferiria dinheiro para Taavet na conta deste em Londres.

Assim, as transferências seriam locais e os dois pagariam muito menos taxas. Em seguida, começaram a descobrir histórias de outras pessoas que passavam por situações parecidas e disso nasceu a Transferwise.

Ela é considerada atualmente um “unicórnio” por ser uma startup que alcançou US$ 1 bilhão em valor de mercado, uma marca que não é para qualquer um.

Bancos e casas de câmbio contra-atacam

Existem empresas similares operando no Brasil. Mas segundo uma matéria do Estadão PME, o futuro pode não ser animador para as transferências P2P. Tivemos taxistas contra motoristas do Uber, corretores de imóveis contra o Airbnb e agora… isso.

O texto começa falando da naturalidade com que duas pessoas realizam troca de dinheiro em espécie numa cafeteria em São Paulo. Sem bancos envolvidos, a transação é feita usando uma média entre o dólar turismo para compra e para venda.

Elas se conheceram através de um aplicativo que conecta pessoas em busca de cambiar moedas e se comunicaram por meio do WhatsApp para acertar os detalhes do local para realizar a troca.

Mas empresas de câmbio e os bancos não estão gostando nada disso. Decidiram então fechar o cerco e enviarão ao Banco Central nos próximos 90 dias um texto falando dos riscos para quem usa meios não tradicionais.

Um dos argumentos é que transferências de dinheiro P2P facilitam a lavagem de dinheiro e representam risco ao sistema financeiro. Mas, ao menos com relação a Transferwise, eles pedem uma série de documentos do usuário.

Isso acontece justamente para evitar lavagem de dinheiro e para se adequar ao máximo as leis de cada país. Para evitar ter que fechar as portas a depender do rumo que as coisas tomarem, fintechs locais já pensam num plano B.

A GoMoney é uma delas e lançou um app para smartphone que permite realizar transferências P2P. Foi um sucesso em países da América Latina e de outros continentes. Tanto que a empresa já pensa em abrir escritórios no exterior.

Isso impedirá que ela pare de funcionar em todos os lugares caso as leis brasileiras fiquem mais rígidas. Apesar disso, Maurício Pire, fundador do serviço, falou ao Estadão que até o momento não recebeu qualquer contato das autoridades.