Dial Radio

O rádio segue forte e continua relevante em tempos de Spotify

Hoje em dia, nosso jeito de ouvir música mudou, mas o rádio continua firme e forte. Segundo informações da Quartz baseadas em uma pesquisa da Nielsen, 49% dos norte-americanos descobrem novas músicas através do rádio enquanto 27% as encontram através de serviços de streaming.

Desde 1970, há uma relativa estabilidade no número de pessoas que ouvem rádio semanalmente, de acordo com a pesquisa. E, como forma de ouvir música, definitivamente está longe do que se pode chamar de morto. "O rádio está mais vivo do que nunca", diz a publicação. Enquanto as rádios online são atraentes para as gerações mais novas, as velhas e boas estações AM/FM não deixam de ser as queridinhas da América. Elas continuam sendo o meio com maior alcance de massa nos EUA, com mais de 90% dos consumidores ouvindo-as semanalmente.

Apesar do crescimento explosivo no consumo de música via streaming, a porcentagem caiu somente 6% desde 2001, ainda segundo dados da Nielsen. Mas como os consumidores preferem rádios se existe um cardápio de milhões de músicas via streaming? A resposta, segundo Larry Miller, diretor do programa de negócios musicais da Steinhardt School, na Universidade de Nova York, está na quantidade de opções. Segundo Miller, a sobrecarga acaba levando as pessoas para a chamada "tirania da escolha".

Elas não sabem o que escolher para ouvir, não possuem alguém para indicar algo. Muitas pessoas não se importam muito com a quantidade. Elas apenas buscam uma experiência passiva, algo para deixar tocando no plano de fundo enquanto cuidam de suas vidas. Com a sobrecarga de opções, preferem que um DJ, um ranking ou alguma autoridade confiável escolha as músicas. Assim, serviços de streaming estão começando a se parecer mais com o rádio. O Spotify, por exemplo, lançou o Descobertas da Semana.

Um algoritmo, que leva em conta diversas variáveis complexas, seleciona semanalmente uma lista com 30 músicas novas para o usuário ouvir e encontrar sons novos. Desta forma, as playlists de serviços de streaming acabam sendo uma nova forma de rádio. Dadas as opções de ouvir música atualmente, estamos vendo uma evolução desse conceito. Para entrevistados ouvidos pela Quartz, a palavra rádio e seu uso se tornou ambíguo, com diferentes significados a depender de quem fala. Rádio passou a significar "ouvir áudio passivamente ou linearmente".

Esta é a definição dada por Paul Brenner, diretor do NextRadio, um app que permite ouvir estações FM locais via internet. "Uma playlist é uma rádio. Antigamente, uma estação de rádio era a frequência selecionada para ouvir o programa desejado por ondas aéreas", diz Brenner. "Agora pode ser uma playlist que alguém criou ou um canal pré programado de algum gênero musical", conclui. Para Amy Wang, redatora da Quartz, o futuro da música é ter quem (ou o que) escolha música para você como quem chega num restaurante e pede o prato recomendado pelo chef.

Claro que tudo isso se refere apenas ao consumo de música. O rádio ainda é bastante útil para muitas pessoas que desejam ouvir as últimas notícias, por exemplo. Além de ser uma ferramenta ideal para transmitir informações durante grandes tragédias devido ao amplo alcance. Sem falar que o rádio por ondas eletromagnéticas não deve se aposentar tão cedo, já que as rádios tradicionais estão migrando do AM para o FM e do FM para o FM Digital. O rádio sobreviveu mesmo com advento da fita, do CD e players como o iPod. Mesmo em tempos de streaming, continua popular como nunca, em suas diversas vertentes, usos e significados.