Pesquisa aponta que não existem “dados anônimos”

Muitas empresas pedem que você compartilhe dados com elas enquanto prometem que serão anonimizados. Ou sequer fazem isso. Mas de acordo com pesquisadores, quanto maior o banco de dados, menores as chances de realmente ficar anônimo.

Os resultados são de uma pesquisa feita pelas universidades Imperial College London e Université Catholique de Louvain. A partir deles, se descobriu que é possível identificar indivíduos com 99,98% de precisão usando apenas 15 atributos demográficos.

De acordo com o modelo da pesquisa, conjuntos complexos de dados não podem ser protegidos contra “desanonimização” usando técnicas atuais, como liberar apenas parte das informações. Essa é talvez a pesquisa mais recente, mas não a única sobre esse assunto.

Um dos pesquisadores da Imperial College, Yves-Alexandre de Montjoye, demonstrou em estudos anteriores que bastam 4 partes aleatórias dos metadados de um cartão de crédito para identificar 90% dos consumidores online como indivíduos específicos.

Em mais outra pesquisa de co-autoria do mesmo pesquisador, foi possível identificar 95% dos indivíduos num conjunto de dados usando apenas 4 pontos espaço-temporais a partir de dados de geolocalização que smartphones produzem.

Mesmo com tamanha facilidade para identificar pessoas que acreditaram na promessa de dados anônimos, esses conjuntos de dados são vendidos por corretores para direcionamento de campanhas de marketing.

Esses bancos de dados contêm muito mais informações, o que torna ainda mais viável a reidentificação de um indivíduo. O estudo ao qual este texto se refere cita a Experian vendendo acesso a dados não-identificados contendo 248 atributos por domicílio sobre 120 milhões de norte-americanos, por exemplo.

Se com 15 atributos foi possível identificar 99,98% dos indivíduos, imagine ter em mãos 248 desses atributos. Portanto, de acordo com os modelos usados pelos pesquisadores, nenhum desses dados estão realmente anonimizados.

Apesar disso, a fábrica de coleta e venda das informações sobre todos nós continua a todo vapor usando uma falsa ideia de anonimato para nos mostrar anúncios. Os pesquisadores criaram um site chamado “Único Demais para Se Esconder” onde você pode brincar um pouco com a ferramenta usada no estudo.

Ao informar alguns atributos (data de nascimento, CEP, gênero), o site determina quais as chances de você conseguir ser identificado a partir de dados supostamente anônimos. Adicionando apenas mais um atributo (estado civil), as chances sobem de 54% em média para 95%.

Mesmo com menos de 15 atributos, os riscos de privacidade são enormes para a maioria das pessoas. Para saber mais, leia o texto do TechCrunch e visite os outros links informados na matéria. Vale também ler esse texto do El País.

Como tentar se proteger

É difícil se esquivar de toda essa coleta de dados. Muitas vezes, pelo simples fato de você acessar uma página na internet ou usar uma rede social, já está sendo extensivamente rastreado e monitorado. Isso sem falar que, justamente para usar uma rede social, já informamos vários detalhes pessoais nossos.

Pelo menos na web, através de um navegador, você pode se proteger de algumas formas. Mas em outras situações já é mais complicado, como seu próprio smartphone estar registrando sua localização o tempo inteiro, por exemplo.

Alguma coisa pode ser feita, com pelo menos parte de todo o rastreamento. Você pode começar por aqui com algumas dicas para proteger sua privacidade tanto quanto possível. Fique de olho nas configurações de privacidade do seu dispositivo para ao menos limitar o que é compartilhado.

Redes sociais como o Facebook e sistemas operacionais como o Android e o Windows ficam de olho em tudo o que fazemos, digitamos, falamos, pesquisamos, publicamos. Mas eles costumam dar algum tipo de controle, como apagar o que foi coletado.

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