Entenda como o “Armagedom dos chips” pode afetar você

Publicado em 07/02/2021    Tecnologia    4 minutos de leitura

A indústria de chips, que fabrica aqueles quadrados ou retângulos pretos e cheios de pernas que vão dentro de tudo o que nos cerca, está tendo dificuldades em suprir a demanda.

A pandemia de COVID-19 que assola o mundo, claro, colaborou com isso. Ela aumentou as vendas de computadores e equipamentos para trabalhar de casa, mas a indústria automotiva teve queda no consumo.

Desta forma, os fabricantes de chips mudaram o foco de suas fábricas. Mas de repente, no terceiro trimestre de 2020 as vendas de carros começaram a crescer nova e antecipadamente.

Ao mesmo tempo, as vendas de computadores e outros gadgets ainda continuavam em alta. Assim, não tinha chip para todo mundo. E um carro contém, em média, cem desses pedaços de silício.

Um fabricante de chips disse ao The Wall Street Journal que, se uma montadora de carros pedisse esse componente hoje, demoraria 40 semanas para atender o pedido.

Segundo a consultoria AlixPartners, a previsão é de que a indústria automotiva deixe de vender US$ 64 bilhões por ter precisado fechar ou reduzir a saída nas linhas de produção.

Interior de chips de silício
Interior de chips de silício. Foto: Laura Ockel/Unsplash

Mas isso num contexto de um setor que costuma gerar anualmente US$ 2 trilhões em vendas.

E, apesar das previsões pessimistas para 2021 no setor de semicondutores, não é de agora que se sente os efeitos da escassez de chips. Ano passado, por exemplo, gamers tiveram dificuldades em comprar placas de vídeo.

Os consoles de vídeo game Xbox e PlayStation também tiveram problemas em atender a demanda. E a AMD ficou atrás da Intel nos resultados trimestrais por ter sido difícil encontrar os processadores da marca.

A Intel possui suas próprias unidades fabris, enquanto a AMD vendeu as dela e terceirizou a produção para outras empresas especializadas e focadas na fabricação e desenvolvimento de tecnologia, como a TSMC.

Até a Samsung, uma das maiores fabricantes de chips do mundo, que produz tanto para ela quanto para os outros, está suando para lidar com os pedidos. A Qualcomm segue no mesmo caminho.

Por isso estão chamando esse momento de “Armagedom dos chips”. E enquanto tentam lidar com o aumento repentino nas solicitações, gigantes como a Samsung e a TSMC já se preparam para o futuro.

Elas estão construindo complexos para produzir chips com tecnologia de 5 nanômetros. Mesmo assim, analistas dizem que o setor passou pelo que se pode chamar de investimentos aquém do ideal.

Fábricas demoram de 18 a 24 meses para abrir e, uma vez prontas, ainda leva um tempo para ajustar a produção. E, de acordo com relatório recente da Counterpoint Research, alguns problemas tornam difícil considerar novas unidades fabris de pequenos componentes.

Entre eles estão endividamento, baixas receitas e pequenas margens de lucro. Por conta disso, os players desse mercado preferem lidar com a demanda aumentando os preços.

Sobre quando esses problemas com a escassez de chips vão ter algum sinal de alívio, uma nota do Bank of America diz que as expectativas apontam para o segundo semestre de 2021.

Mas, para alguns setores, a melhora só vem em 2022. Entre eles está o 5G, que segue em plena expansão pelo mundo. Aqui no Brasil, inclusive, começam os trâmites para o leilão de frequências.

Pequenas "cidades" eletrônicas no interior de chips. Foto: Laura Ockel/Unsplash
Pequenas “cidades” eletrônicas no interior de chips. Foto: Laura Ockel/Unsplash

Diante de tudo isso, o efeito imediato para o consumidor é a possível dificuldade em encontrar dispositivos e peças de informática, periféricos e outros gadgets como já mencionado no início do texto.

O preço também deve aumentar para lidar com a demanda ou, no mínimo, não deve ficar menor do que já está nem cair numa velocidade como vista antes da pandemia.

Samsung e Apple têm bolsos fundos e influência para garantir prioridade, mas fabricantes menores não dispõem do mesmo luxo e por isso podem sofrer com indisponibilidade.

Então, em resumo, se você está de olho em algum produto de informática — como um SSD ou pentes de memória — mas está esperando para ver se o preço cai, talvez essa queda não venha.

O preço na verdade pode até subir, ainda mais ao depender do dólar, que anda em patamares altos e tem humor volúvel. Então talvez seja uma boa hora de bater o martelo e abrir a carteira.

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